Televisão: Há um homem que sabe tudo sobre "Perdidos"
24.03.2009 - 12:06 Por Joana Amaral Cardoso
Gregg Nations é o guardião da continuidade de Perdidos. É o coordenador da equipa de argumentistas e o homem que controla a "bíblia" da série. É aquele a quem todos recorrem para saber quando/onde está alguma personagem ou por onde andou o urso-polar. Hoje estreia-se em Portugal o princípio do fim de Perdidos. Já só faltam 34 episódios para saber que verdade está, afinal, lá fora.
No início desta quinta temporada (17 episódios), a penúltima da série, há mudanças cronológicas. A orientação de fãs acérrimos e dos próprios argumentistas e produtores é desafiada mais uma vez e eles precisam de toda a ajuda disponível. É aqui que entra Gregg Nations, texano e vegetariano, licenciado em Contabilidade e pós-graduado em Cinema. Era coordenador de guiões na série Nash Bridges, onde conheceu Carlton Cuse e Damon Lindelof, produtores executivos de Perdidos. Foi contratado para a mesma função em Perdidos, para assegurar a "bíblia", uma espécie de guia com todas as informações da narrativa. No caso de Perdidos, é um novelo com múltiplos nós.
Em vez de usar a Internet e o seu hipertexto para ligar a miríade de linhas narrativas da série, Nations escolheu o caminho mais difícil. "Limitei-me a criar documentos Word e escrevo tudo", disse Nations ao New York Times. Ou seja, criou um sistema à imagem da intriga draconiana de Perdidos. "Tudo" inclui aquilo que já foi estabelecido sobre as personagens, mesmo o que não foi para o ar.
Quando é preciso verificar questões de continuidade, é com ele que os produtores vão ter. "Ele tem cronologias, gráficos, dossiers. Levou isto a uma dimensão que excedeu tudo o que podíamos imaginar", explicou Carlton Cuse ao New York Times. Há cerca de duas dezenas de personagens principais e cerca de 80 secundárias "e à medida que a série avança e se começam a descascar os mistérios e a saber mais sobre a Iniciativa Dharma, sobre Os Outros, sobre [Charles] Widmore, sim, há muito de que estar a par", admitiu Nations à rádio pública americana NPR.
No documento, que nunca imprimiu integralmente para manter o secretismo e que está armazenado em diferentes computadores, estão os arcos narrativos principais e secundários. E os locais-chave na ilha e fora dela, as aparições dos fenómenos que a tornam um enigma com água à volta (monstros de fumo, ursos-polares, cabanas invisíveis, estátuas com pés com quatro dedos).
Nations é tão importante para a série que tem a sua própria entrada na Wikipedia e na Lostpedia (um wiki dedicado à série). Uma busca pelo seu nome no Google revela 4,230 milhões de páginas que o referem. Sem ser uma personagem de Perdidos, Nations é um dos heróis dos fãs da série - mesmo quando lhe apanham erros, rapidamente escrutinados na Internet.
Perdidos é um produto complexo que cansou alguns espectadores mas que agarra ainda mais de onze milhões nos EUA e milhares em Portugal (a RTP1 deve estrear a quinta temporada em breve). O Fox exibe às 21h30 o especial A Chamada do Destino, um apanhado das quatro épocas anteriores.
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