Polémica directora do Museu de Arte Moderna de Bolzano foi demitida
29.10.2008 - 17:15
A saga da rã verde crucificada que estava em exposição num museu italiano volta a dar que falar. Corinne Diserens, a directora do Museion, o Museu de Arte Moderna de Bolzano, no norte de Itália, que no mês de Maio expôs a rã no museu foi ontem despedida do cargo, segundo informou em comunicado a Fundação do Museu.
O despedimento de Corinne Diserens é justificado pela Fundação “pela difícil situação económica e pelos gastos realizados por Diserens sem justificação aos órgãos devidos”. Os meios de comunicação locais falam de prejuízos de 500 mil euros. Corinne Diserens, a “directora-provocadora” como lhe chama o “Corriere della Sera”, foi uma acérrima defensora da obra, mantendo-se à margem da polémica que entretanto estalou quando a obra foi altamente criticada pelas autoridades religiosas e politicas de Itália.
Os advogados da directora, que está em viagem pela China, asseguram que a expulsão se deve unicamente à rã crucificada e a uma bandeira suástica exposta na exposição “Sonic Youth”. Os defensores da polémica directora acreditam que a culpa é da rã crucificada e justificam que “a arte também é provocação. A arte contemporânea, então, raramente é bem percebida de início”. Por isso, a partir de agora “é este o nosso projecto e dos milhares de visitantes, principalmente jovens, que acreditam que estamos a agir bem”. Acrescentam que “Bolzano é uma cidade um pouco conservadora, mas a desconfiança é apenas no inicio”.
A rã da discórdia
Em Agosto, o Papa Bento XVI chegou a redigir uma carta a Franz Pahl, o presidente da região de Trentino-Alto Adige, na qual considerava que a obra “feria o sentimento religioso de muitas pessoas que vêm a cruz como símbolo do amor de Deus e da salvação e que merece reconhecimento e devoção religiosa”. A direcção do museu chegou a reunir-se para discutir se a rã se mantinha na exposição ou não. Na altura, a rã ficou, agora a directora vai embora.
A escultura de uma rã verde crucificada numa cruz é uma obra do artista alemão Martin Kippenberger (1953-1997). Segundo os comissários que em Agosto passado tiveram de defender o caso, o artista pretendia apenas expressar um momento pessoal de crise profunda. A peça de Kippenberger como o nome “Zuerste die Fuesse” (“os pés primeiro”, em português) mostra uma rã verde crucificada com a lingua de fora numa cruz de madeira, a segurar numa das mãos uma caneca, e na outra um ovo.
Corinne Diserens é suíça, estudou na Sorbonne e segundo o “Corriere della Sera” tem experiência em museus por todo o mundo. Tinha sempre o apoio da Fundação do Museion, pelo que a decisão foi algo surpreendente.
O presidente da Fundação Alois Lageder desvaloriza a polémica que considera “ridícula” porque a decisão está apenas relacionada com questões financeiras. Lageder defende que “sempre apoiaram as escolhas artísticas da directora”. A destituição do cargo dá se um dia depois da renovação do governo da província do Alto Adige, cuja capital é Bolzano. Muitos dirigentes locais declaram que o caso da rã teve impacto na decisão. Não foi por acaso que esperaram pelo dia a seguir as eleições. A exposição “era financiada com dinheiros públicos”, daí que segundo Philippe Daverio “fizeram bem”.
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