O negro dominou ao fim de quatro dias de desfiles na ModaLisboa/Estoril
16.03.2009 - 08:36 Por Joana Amaral Cardoso
Propostas para o Outono-Inverno trouxeram nova enchente a Cascais. Organização satisfeita com a presença de potenciais compradores e por ver criadores mais próximos da indústria.
No último dia da 32.ª edição da ModaLisboa/Estoril, a cor chegou. Já tinha sido mais notória no sábado, muito graças a Ricardo Preto, Nuno Baltazar e Luís Buchinho, versão gelo. Ontem, Filipe Faísca encerrou os desfiles dos portugueses com um sumário que revia a matéria dada nesta edição: o negro, a silhueta feminina marcada e tanto pronta para o trabalho quanto solta para o passeio desportivo ou nonchalant. E as cores neutras ou invernosas como o roxo e o cinza-areia, peles, jersey de seda, lãs, efeitos borracha. Mas de uma coisa a passerelle nunca se livrou - do preto.
Foi uma edição de negrume e alguma melancolia na passerelle, mais marcada do que é normal pelo preto, especialmente nos primeiros dias de desfiles. "Há uma profusão de preto", confirma Eduarda Abbondanza. "Imagino que os criadores, por uma questão de contenção, estejam a ir às suas reservas e que os fabricantes de tecidos estejam a disponibilizar os seus excedentários - o preto está sempre em stock e isso faz sempre parte da gestão de um ano" como 2009.
Mas o negro de Filipe Faísca não é o preto-recessão - "A moda é precisamente um campo para deixar sonhar, sobretudo em crise", disse no final do desfile, mais uma vez aplaudido de pé por uma sala a abarrotar. É versatilidade, o clássico que nunca compromete. "Um vestido preto consegue sempre desdobrar-se em muitas coisas", conforme os acessórios.
Enfim, a cor
Ontem, as colecções masculinas de Nuno Gama e Pedro Mourão já tinham trazido o turquesa, o xadrez, os ocres, os castanhos. Pedro Pedro vestiu as mulheres de estampados gráficos e moveu-se na paleta dos laranjas e acastanhados, em silhuetas tubulares, fugindo também ao power-look que remete para os anos 1980. O mesmo aconteceu em Katty Xiomara, sempre girly, mas com uma colecção mais arrojada nas formas e no trabalho dos materiais, que embebeu a passerelle de rosas, lilases e malvas.
Na Cidadela de Cascais houve enchentes para os criadores do costume (Ana Salazar, Nuno Baltazar, Luís Buchinho, Nuno Gama e Filipe Faísca) e para designers que vivem um bom momento (Dino Alves, Ricardo Preto). Também se viram colecções longas - por exemplo, 47 coordenados para Faísca e cerca de 60 para Buchinho, que juntou a linha em nome próprio com a colecção de malhas para a Jotex, exemplo do trabalho em duas frentes de alguns criadores portugueses e sintoma da mais-valia que a aliança com a indústria têxtil pode significar.
As duas linhas eram "como um escape para os dois mundos que tinha" no seu universo criativo. "Consegui juntá-los pela primeira vez na minha carreira num só momento e foi muito gratificante", explicou Buchinho ao PÚBLICO, depois de um desfile muito aplaudido. "Já era altura de juntar as duas colecções naquele que eu considero o evento de moda mais importante do país", disse o criador, o único com show-room no evento.
Esta foi também uma edição de aniversários. Ricardo Preto assinalou três anos de ModaLisboa - sempre em crescendo. E contam-se já dez edições de ModaLisboa para Nuno Baltazar, que há alguns anos é o criador das estrelas made in Portugal, sempre inspirado por figuras históricas ou artísticas, sempre a namorar a couture. E a crescer, com novos pontos de venda no país e com uma colecção colorida, marcante nos vestidos com roxos, vermelho ou laranja.
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