Universidade de Coimbra cria a maior base de dados do Mundo sobre Marte
27.09.2006 - 11:18 Por :, Maria João Lopes
A mais completa base de dados do Mundo de imagens de Marte, a Mars Image Mining System (MIMS), está, desde ontem, acessível ao público em geral. Para aceder à ferramenta, criada pela Faculdade de Ciências e Tecnologias da Universidade de Coimbra (UC), basta ir ao sítio do Instituto de Geofísica da UC (www.uc.pt/iguc) e escolher o item Novidades.
O utilizador pode descarregar para o computador qualquer uma das mais de 300 mil imagens do planeta vermelho que integram o sistema.
Ivo Alves, geólogo que liderou o projecto, explica que, na realidade, a base de dados não reúne imagens de Marte, mas links para as mesmas. Mesmo assim, garante, o sistema é único no Mundo e resulta de uma "longa pesquisa", tratamento e reconversão de dados recolhidos nos servidores das agências espaciais, entre as quais a americana NASA. Para já, as imagens permitem avaliar a evolução da geodinâmica externa do planeta - formação recente de crateras ou a evolução de campos de dunas - entre 1971 e 2005, mas a base de dados será actualizada anualmente.
A pesquisa pode ser baseada em critérios como a definição da imagem, as coordenadas geográficas ou até o nome do local. "Podemos escolher as missões de que queremos imagens e também temos acesso aos comentários da equipa que recolheu a imagem. Podemos vê-la em pormenor ou em grande panorâmica", explicou Ivo Alves, acrescentando que se trata de uma ferramenta de trabalho "essencial" para cientistas do Mundo inteiro, até porque Marte continua a ser um planeta polémico no seio da comunidade científica.
"Há um grupo húngaro que defende que há marcianos sob a forma de bactérias. Há alterações sazonais na cor da superfície de Marte e eles associam o ciclo de cor ao ciclo de vida de bactérias. Os franceses dizem que aquilo se deve ao ciclo do dióxido de carbono. Para haver vida, é preciso água e energia e, em Marte, há água, embora não em estado líquido, e energia. Por isso, não é impossível que haja lá vida", afirma o professor. Estudar a evolução do solo em Marte e comparar os mesmos sítios em alturas diferentes foram dois dos objectivos que estiveram na base do projecto. A equipa está a pensar alargá-lo à lua, aos satélites de Júpiter (Europa e Io) e ao grande satélite de Saturno, Titan.
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